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  • Fazer ou não fazer a mamografia antes do exame de ultrassonografia das mamas?

Várias mulheres tem me questionado sobre a exigência da mamografia antes do médico ultrassonografista realizar a ultrassonografia das mamas para fazer a comparação. E perguntam: como resolver esse problema, se o objetivo é não fazer a mamografia em hipótese alguma?

Eu oriento que a mulher tem o direito de se recusar a fazer a mamografia e está respaldada pela Cochrane, entidade que valida a qualidade dos trabalhos médicos na área da prevenção, diagnóstico e tratamento e condenou a mamografia por ser:

  •  ineficaz: não reduziu a mortalidade por câncer de mama, nem reduziu a incidência dos cânceres avançados em todos os lugares onde foi implantada;
  •  prejudicial: aumentou até 4.4 vezes as mastectomias desnecessárias por diagnosticar o câncer inexistente, induzindo ainda à radioterapia e quimioterapia em metade desses casos e reduzindo a expectativa de vida da paciente pelos tratamentos excessivos e desnecessários que induz.

A Suíça aboliu a mamografia desde outubro de 2014 seguindo a orientação da Cochrane.

O médico, laboratório, clínica de diagnóstico ou hospital não podem exigir que a mulher se submeta a um exame que está sendo condenado e só serve aos interesses econômicos corporativistas. Portanto, um método já nem questionável quanto a sua utilidade, não pode ser objeto. Esta conduta de pressionar-se a paciente a realizar a mamografia antes da ultrassonografia certamente não visa o bem da mulher. Recomendo que as mulheres busquem outros serviços mais sensatos que aceitem realizar  apenas a US, a US com Doppler ou o exame tríplice.

Eu sempre sugiro o exame tríplice para substituir a mamografia, pois  é um método de imagem que emprega 3 exames concomitantemente (US, Doppler e Elastografia) e é mais eficaz do que apenas um exame: a  US emprega o princípio acústico para delinear a morfologia e as lesões que estão nas mamas, o Doppler utiliza o princípio Doppler para detectar o padrão de vascularização das mamas e lesões que contenha e, finalmente, a elastografia utiliza o princípio da elasticidade para detectar a dureza das lesões das mamas. Muito mais completo e eficaz e temos tido muito sucesso na utilização do método.

  • Devo realizar a mamotomia para biópsia de lesão mamária?

Várias pacientes me tem perguntado sobre a conveniência de realizar a mamotomia para nódulos e até apenas para um grupo de calcificações, que pode ser em uma área bem pequena, de cerca de 5mm.   Instintivamente as mulheres temem a mamotomia e eu diria que com razão. Eu sou totalmente contra a mamotomia, por dois motivos fundamentais:

  • se a lesão é benigna não seria preciso realizar um exame tão agressivo e invasivo, que introduz uma sonda grossa cortante às cegas (não sabe se está cortando algum vaso importante) e nem sempre as condições da sala de exame são similares ao ambiente estéril de um centro cirúrgico, que seria o ideal. Complicações de hematomas grandes e infecções após o procedimento não são incomuns. Imagina isso sem necessidade, como seria em resultado benigno.
  • se a lesão for maligna aumenta o risco do tumor se espalhar para outras partes do corpo, pois estaremos cortando dentro do tumor e junto os vasos sanguíneos que o alimentam, facilitando que as células tumorais entrem pelos vasos sanguíneos abertos e se disseminem para outros órgãos.

Eu sempre recomendo a localização da lesão mamária suspeita pela ultrassonografia (US) de alta resolução (sugiro uma sonda de 18 MHz, capaz de resolução milimétrica e de detectar as microcalcificações). E, com a lesão localizada, realizar uma PAAF – (Punção aspirativa com agulha fina) guiada pela US, que não tem riscos. A agulha da PAAF tem a espessura de uma agulha de insulina, não espalha o tumor (demonstrado em inúmeros estudos) e o procedimento é muito bem tolerado e não causa hematomas.

Se o resultado da PAAF for benigno, deve-se realizar acompanhamento semestral para detectar eventual falso-negativo.

Se o resultado da PAAF for maligno deve-se realizar o procedimento recomendado para o caso. Limpo, simples e direto.

O que disse sobre o método é minha opinião como médica especialista em diagnóstico por imagem, que já expressei publicamente em várias ocasiões e apenas estou reiterando. Eu não comprei o equipamento para realizar mamotomia devido não concordar com a abordagem do método sobre a lesão maligna.

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Vejam o tamanho da agulha de mamotomia e sua espessura. Essa é que será introduzida dentro da lesão mamária.

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Vejam o tamanho do fragmento da mama que é retirado com a mamotomia.

Nos ensinamentos clássicos do tratamento do tumor de mama ele deve ser retirado em monobloco, dentro de centro cirúrgico estéril, com margem se segurança (sem câncer nas bordas da peça removida), para reduzir o risco do tumor se implantar à distância.  Isso é muito diferente da mamotomia, que perfura o tumor sem cautela, cortando seus vasos e  destacando as células tumorais do bloco principal, facilitando sua penetração na corrente sanguínea e migração para outro sítio, onde encontre condições adequadas para se desenvolver (aumenta risco de metástases e de implante no trajeto da agulha). É procedimento que não faria em mim ou em meus familiares e seria incapaz de realizar em minhas pacientes.

Agora, com as informações dadas com clareza cada uma decide por si o que acha melhor realizar.

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