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QUEM PROCEDE ASSIM DESCONHECE QUE O FEITIÇO PODERÁ VIRÁ CONTRA O FEITICEIRO!!!

Recebi uma mensagem de um colega ultrassonografista, Dr. Alessandro Teixeira Leite, que me passou e-mail dizendo ter-se informado, através da revista do CBR sobre o projeto de lei 3661/2012 que quer transferir a realização dos exames de ultrassonografia para os tecnólogos e gostaria de saber minha opinião à respeito, pois vê esse projeto  com grande preocupação, já que sou ultrassonografista, titulado pelo CBR desde 2004 e a ultrassonografia é seu meio de vida.

Realmente colega, mesmo sendo realizado por médicos, que tem conhecimento de fisiologia, anatomia, patologia, endocrinologia, gineco-obstetrícia e conhecimentos específicos de ultrassonografia, absolutamente imprescindíveis para o correto exercício da especialidade, muitos erros podem ser cometidos, pois de todas as áreas de diagnóstico por imagem, a mais difícil é a de ultrassonografia, a que demanda mais conhecimento e expertise para ser corretamente realizada.

Imagine agora se o exame for executado por técnicos, que em nosso meio tem uma formação muito elementar, sem nenhum conhecimento médico consistente, cujo nível é muito inferior aos técnicos formados nos EUA, que necessariamente frequentam os 4 primeiros anos da escola de medicina e apenas não realizam a formação dos anos clínicos e a residência médica.

E lá nos EUA os técnicos comentem erros, em maior quantidade do que nos países nos quais o exame é apenas executado por médicos, como nos países Europeus em geral. Ficou célebre o estudo Radius, que comparou as malformações fetais detectadas nos EUA  (onde o rastreio é feito por técnicos) com as relatadas na Europa (onde o rastreio é realizado apenas por médicos) e se chegou a resultado grotesco: apenas 16% das anomalias foram detectadas nos EUA e até 87% foram  detectadas na Europa.

A conclusão foi óbvia: o maior conhecimento médico do examinador europeu permitiu rastreamento mais completo e preciso das anomalias fetais. Se isso ocorreu com um técnico bem qualificado dos EUA, o que não acontecerá no Brasil, com técnicos precariamente formados? Será que nossos governantes não pensam nas conseqüências funestas de uma decisão tão errônea?

Eles precisam tomar cuidado com esse tipo de economia porca, pois podem ser vítimas de suas próprias leis, como aconteceu com o prefeito de Petrópolis que morreu no deslizamento de terra do morro no qual havia autorizado construções em áreas sabidamente de risco, contrariando as orientações de técnicos e engenheiros competentes. Deu no que deu. Os políticos atuais, que pretendem alterar a lei que dá ao médico exclusividade de executar o exame de ultrassonografia, se esquecem que, futuramente, eles próprios serão examinados e terão seus filhos e netos examinados por profissionais despreparados e incapazes de atinar com a gravidade de alguns achados, por desconhecimento da patologia, sintomatologia, fisiologia, endocrinologia, sinais clínicos e morfológicos, pois para isso precisariam ser médicos.

Isso poderá custar vidas, protelar diagnósticos importantes e representar maior gasto em internações e complicações. Foi o que aconteceu nos EUA quando o Manange Care retirou dos especialistas médicos a assistência da maioria dos casos que eram antigamente tratados por eles, como a trombose venosa profunda que passou a ser tratada pelo clínico no lugar do angiologista.

A conseqüência foi a explosão da iatrogenia e erros médicos, tendo os indefesos pacientes pago pela inépcia e ganância dos seus governantes. Pagamos tanto impostos e recebemos tão pouco de nosso governo! É hora de mudar e esperamos que aqueles que votarão essa lei façam a análise criteriosa do problema e atuem corretamente, beneficiando não apenas os médicos, mas os doentes e eles próprios quando se tornarem pacientes.

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