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Leia esta matéria antes de realizar seu próximo exame de Ressonância magnética

Acabo de receber uma notícia alentadora, que me faz acreditar novamente na integridade dos seres humanos. Já sabíamos dos problemas do gadolínio e nos surpreendia muito que nada fosse realizado visando coibir o uso em humanos.

Mas houve uma mudança radical e o contraste mais tóxico a base de gadolínio que é utilizado para realização de Ressonância magnética poderá ser retirado do mercado europeu, conforme divulgado por Brian Casey e Wayne Forrest, que escrevem para o  AuntMinnie.com

Em uma virada surpreendente e maravilhosa, o órgão regulador dos interesses do consumidor da União Europeia recomendou em 10 de março de 2017 que quatro agentes de contraste a base de gadolínio (GBCAs) utilizados para exames de ressonância magnética (MRI) sejam retirados do mercado devido possíveis consequências decorrentes do depósito permanente do gadolínio  no corpo anos após sua utilização nos exames de MRI. Os agentes de contraste afetados incluem alguns dos produtos de contraste mais utilizados na Imaginologia médica. A recomendação foi emitida pelo Comité de Avaliação de Risco de Farmacovigilância (PRAC) da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), órgão primário da União Europeia responsável pela regulamentação farmacêutica. O comitê se reuniu esta semana para analisar a segurança do gadolínio em resposta a um pedido feito pela Comissão Europeia no ano passado. Em um comunicado da imprensa o Comité informou  sobre os motivos que embasaram a decisão. “A revisão do PRAC dos agentes de gadolínio encontrou provas convincentes de acúmulo permanente do gadolínio no cérebro a partir de estudos que medem diretamente o gadolínio em tecidos cerebrais, que são vistas como áreas de realce aumentado nas imagens de ressonância magnética muitos meses após a última injeção de um contraste a base de gadolínio”.

Depósito permanente do gadolínio no corpo humano

A decisão da Agência Europeia de Medicamentos desta semana ocorre vários anos depois que os primeiros relatórios começaram a surgir sobre as evidências de vestígios de gadolínio permanentes nos cérebros de pacientes que haviam recebido exames de ressonância magnética – anos após os exames terem ocorrido. Um dos primeiros estudos, por Kanda et al em 2013, encontrou maior intensidade do sinal magnético nos cérebros de pacientes que receberam contraste de gadolínio indicando a presença do gadolínio no tecido cerebral; Kanda confirmou os resultados com um estudo de acompanhamento em 2015 e os resultados foram replicados por McDonald e outros no mesmo ano. Os estudos levaram a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) em 2015 a iniciar uma revisão do contraste de gadolínio para investigar esses achados e determinar se existe risco para a saúde dos pacientes que receberam o contraste. Outros pesquisadores começam a mergulhar na questão para descobrir se certos tipos de contraste à base de gadolínio são mais propensos à deposição do que outros. Até agora, os estudos parecem indicar que uma forma particular de contraste de gadolínio, conhecida como agentes lineares, é mais suscetível a deposição do que uma segunda classe de produtos, chamados de agentes macrocíclicos. A diferença entre os dois tem a ver com a forma como o íon de gadolínio, que no seu estado livre é um metal pesado tóxico para os seres humanos, se  liga ao agente quelante (ligante) para criar o meio de contraste. Teoricamente as ligações entre o gadolínio e o ligante são fortes e permitem que o agente de contraste seja expulso do corpo após a RM, sem deixar resíduos. No entanto, os especialistas constataram que, nos agentes de gadolínio linear, a conexão de alguma forma se quebra, num processo chamado dequelação, permitindo que o gadolínio permaneça depositado  permanentemente nos tecidos dos pacientes que o utilizaram.

Na verdade, os quatro agentes abrangidos pela decisão do PRAC  são todos agentes  de contraste do gadolínio linear:

  • Ácido gadobênico, comercializado sob a marca MultiHance pela Bracco
  • Gadodiamida, comercializada sob a marca Omniscan pela GE Healthcare
  • Ácido Gadopentetic, comercializado como Magnevist pela Bayer HealthCare Pharmaceuticals
  • Gadoversetamida, vendida como Optimark por Guerbet

“Os agentes lineares têm uma estrutura mais propensa a liberar o gadolínio do processo quelante que o eliminaria pelos rins e pode se acumular nos tecidos corporais”, afirmou o PRAC em sua recomendação. “Outros agentes, conhecidos como agentes macrocíclicos, são mais estáveis ​​e têm uma propensão muito menor para liberar gadolínio”.

Observem bem que eles não afirmam que o gadolínio macrocíclico não forma depósitos permanentes no nosso organismo, mas o liberm em menor quantidade. É apenas menos ruim.

O PRAC notou que não foram relatadas doenças clínicas ou mesmo sintomas em  ligação com aos depósitos permanentes de gadolínio. Mas o comitê disse que decidiu adotar uma “abordagem de cautela”, visto a escassez de dados disponíveis para análise objetiva no momento, bem como considerando os antecedentes do gadolínio, que está associado a fibrose nefrogênica sistêmica (NSF), não somente em pacientes com insuficiência renal, mas também em outros que tinham função renal normal, uma doença que pode ser fatal ao formar fibrose em muitos tecidos e orgãos do corpo após injeções de gadolínio para exames de MRI e deteriorar progressivamente as funções desses órgãos.

Para os quatro agentes abrangidos pela suspensão, o PRAC salientou que as suspensões poderão ser suspensas se as empresas evidenciarem novos benefícios que compensam os riscos dos agentes ou se demonstrarem que os seus produtos não liberem quantidades significaticantes do gadolínio ou que fiquem permanetemente retidos nos tecidos.

O PRAC fez excepções à sua recomendação para dois agentes de gadolínio linear:

  • Gadoxetate disodium, vendido como Primovist na Europa e Eovist nos EUA pela Bayer. O agente é usado em uma dose baixa para exames de ressonância magnética  do fígado e “atende a uma necessidade diagnóstica importante em pacientes com poucas alternativas”.
  • Uma formulação de ácido gadopentetic (Magnevist) que é injetado diretamente em articulações em concentrações muito baixas de gadolínio.

O comitê recomendou que os agentes de MRI macrocíclicos fossem utilizados nas doses mais baixas possíveis e somente quando muito necessários para melhorar a definição das imagens realizadas sem o uso de contraste. As recomendações serão enviadas ao Comité dos Medicamentos para Uso Humano (CHMP) da EMA para parecer.

Minha recomendação: se precisar de MRI recuse o contraste, exceto se imprescindível para o diagnóstico e se não houver outra alternativa de detectar o problema com outro método.

Bom mesmo são os exames de Termografia, Ultrassonografia, Doppler e Elastografia, que não têm nehum efeito biológico para o organismo. Com estes o paciente não corre o  risco do adoecer após o exame.

Referências

  1. Kanda T, Oba H, Toyoda K, Kitajima K, Furui S. Brain gadolinium deposition after administration of gadolinium-based contrast agents. Jpn J Radiol. 2016 Jan;34(1):3-9. doi: 10.1007/s11604-015-0503-5. Review. PMID: 26608061
  2. Kanda T, Ishii K, Kawaguchi H, Kitajima K, Takenaka D. High signal intensity in the dentate nucleus and globus pallidus on unenhanced T1-weighted MR images: relationship with increasing cumulative dose of a gadolinium-based contrast material. Radiology. 2014 Mar;270(3):834-41. doi: 10.1148/radiol.13131669.PMID: 24475844
  3. McDonald RJ, McDonaldJS, Kallmes DF, et al. Intracranial Gadolinium Deposition after Contrast-enhanced MR Imaging.  Radiology June 2015, Volume 275, Issue 3