VOLTAR  

ELASTOGRAFIA – A CIÊNCIA IMAGINOLÓGICA DO FUTURO AGORA É PRESENTE
Lucy Kerr*

Desde tempos imemoriais a medicina baseou seus diagnósticos nas alterações da consistência de órgãos, sistemas e tecidos, com grande grau de acuidade, sendo tanto melhor e preciso o diagnóstico, quanto mais bem preparado fosse o médico.

Mas a limitação de ser preciso atingir os locais profundos com os dedos para poder sentir sua consistência e a dificuldade de perceber o que estava dentro de um órgão endurecido pela doença eram limitantes terríveis da aplicação indiscriminada à palpação médica.

A elastografia veio para vencer esse desafio e mostrar ao médico as diferentes durezas teciduais, mesmo em órgãos profundos, como o fígado, o baço, os rins, a próstata, o pâncreas, os ovários, o útero, assim como acessando facilmente os órgãos superficiais, como a tireoide, as mamas, a bolsa escrotal, os músculos e as alterações situadas no subcutâneo. A elastografia abriu um novo e maravilhoso campo de diagnóstico para aumentar a acuidade dos diagnósticos e facilitar a conduta. Hoje a elastografia é considerada o maior avanço do diagnóstico por imagem desde o advento da ressonância magnética.

Nesta matéria, agora disponível gratuitamente em nosso Portal, estamos focando essa área que revolucionou o diagnóstico e a conduta dos pacientes portadores de hepatopatia crônica, impactando principalmente os portadores de Hepatite viral crônica, em especial a hepatite C e B, disponibilizando os últimos avanços apresentados no Congresso anual do AIUM – American Institute of Ultrasound in Medicine, EUA. Com elastografia é possível acompanhar de forma totalmente não invasiva a evolução da doença e saber quando o paciente precisará receber o tratamento antiviral, sem a necessidade da detestável e arriscada biópsia hepática, inclusive facilitando que receba as novas medicações que aumentam as chances de o paciente atingir a meta de resposta virológica sustentada – SRV (cura). Se demonstrada a piora do quadro hepático pela elastografia haverá clara indicação facilitará justificar a liberação pelo SUS dos medicamentos mais eficazes de última geração. E também é possível acompanhar o paciente tratado, verificando-se em exames periódicos como está reagindo o fígado depois que a carga viral foi zerada (SRV) e se está surgindo o temível câncer hepático, mais comum nesses pacientes.

Saiba também qual, dentre os métodos de elastografia hepática disponíveis no mercado, é o mais adequado e preciso para analisar a condição o fígado de acordo com os especialistas internacionais clicando em https://www.youtube.com/watch?v=VpnDaTR4nuk, assistindo à exposição e também analise o caso ilustrativo na sequência, que mostra claramente como a elastografia possibilitou dirimir uma dúvida diagnóstica e selecionar a conduta em paciente idosa com cirrose e câncer hepático.

2016091601

Figura 1 A/B – mostra o lobo direito do fígado em longitudinal (A, à esquerda) e transversal (B, à direita) apresentando alterações do parênquima hepático (US) e do estudo Doppler do fígado que indicam hepatopatia crônica e um nódulo sólido NS no lobo hepático direito, que mais provavelmente corresponde a resquícios teciduais do hepatoblastoma submetido à ablação por radiofreqüência em julho de 2015. A dúvida é: o tumor está ativo ou não após a terapia e qual é a condição do fígado atual.

2016091602

Figura 2. A acentuada hipovascularização no estudo Doppler do nódulo sólido NS do lobo hepático direito (designado 1 e 2 na imagem) indica inatividade do processo metabólico tumoral, sugerindo que está curado. O padrão Doppler usual do hepatoblastoma é o de hipervascularização.

2016091603

Figura 3. O nódulo sólido NS (fígado) está delineado com linha contínua na imagem em módulo B (à esquerda) e no elastograma ( à direita) e apresentou 50% de consistência mole e 50% de consistência intermediária (padrão elastográfico inconclusivo, se dissociado do critério de tamanho). Mas suas dimensões são iguais no elastograma e na US de módulo B (padrão elastográfico benigno).

2016091604
Figura 4A/B. Na imagem A, à esquerda a velocidade de propagação das ondas de cisalhamento (ARFI) na área do nódulo hepático é 1,51m/s, similar ao parênquima hepático normal (A, à esquerda) e corroboram o diagnóstico da análise Doppler, que indicavam inatividade tumoral e também o elastograma na figura prévia, que mostrou 50% de amolecimento da lesão, sugerindo destruição tumoral e substituição por tecido fibroadiposo, uma vez que o hepatoblastoma é lesão muito dura e supera em dureza a do parênquima normal. A análise Elastográfica estimou a fibrose hepática no restante do parênquima em grau F4 do escore Metavir na imagem à direita (Velocidade ARFI = 3.45m/s, que é muito elevada e indica elevado conteúdo fibroso). Firmado o diagnóstico de cirrose hepática, sem neoplasia ativa e considerando-se a faixa etária da paciente, a sua médica optou por realizar a ozonioterapia (vídeo 1) que atua na eliminação de carga viral residual, na regeneração tecidual de fígado e ainda é capaz de atuar reduzindo as células neoplásicas residuais.

Vídeo 1. mostra em tempo real a injeção do ozônio intraperitoneal para estimular a proliferação dos macrófagos aí situados e aumentar a imunidade natural do paciente para combater o vírus da hepatite C e o tumor. O ozônio injetado é observado movimentando-se subjacente ao peritônio (imagem de gás livre no peritônio, que não está envolto pela parede intestinal e sua característica assinatura gastrointestinal**) e dispondo-se ao final entre o fígado e a parede torácica.
*Diretora da Sonimage e presidente fundadora da SBUS – Sociedade Brasileira de Ultrassonografia.
** Kerr, L. Ultrassonografia e Doppler do trato gastrointestinal, 2014

Deseja se cadastrar em nosso mailing?