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RESPONDENDO DÚVIDA SOBRE “ESTEATOSE HEPÁTICA” E “NODULOS HEPÁTICOS” DETECTADOS NA ULTRASSONOGRAFIA ABDOMINAL

A DÚVIDA

Acabo de receber um e-mail de um jovem de 31 anos que diz realizar todos os anos um exame de ultrassom de rotina para controlar esteatose leve, embora seja magro, saudável e não tenha doenças de base. Diz que fez exames de sangue para avaliação da função hepática (bilirrubina gama GT, TGP e proteínas), CEA antitripissina, testes de hepatite e que todos estão normais. Entretanto, este ano foram detectados dois nódulos no fígado, um de 1.7 cm e outro de menos de 1cm, sem fluxo ao Doppler e com características de benignidade. Diz que fez os exames acima e ainda dois ultrassons (não menciona o intervalo) e uma Ressonância Magnética, que não encontrou os nódulos detectados no US. Relata que foi informado por alguns que a máquina que fez Ressonância com gadolin não era boa para abdome e que outros dizem para ficar tranquilo e refazer o exame de ultrassom após 3 meses. Mas está nervoso e preocupado de ser algo pior mesmo com exames de sangue estando normais.

NOSSA RESPOSTA AO E-MAIL

  1. Em primeiro lugar você diz que tem esteatose hepática, mas eu te pergunto como vc a diagnosticou. Foi com Ultrassom, CT, RNM ou biópsia? Se foi só com o US saiba que o aumento de ecogenicidade hepática, que normalmente é interpretado como esteatose, pode ser decorrente de várias outras patologias, tais como: fibrose hepática, acúmulo de glicogênio nas células hepáticas (comum em diabéticos), acúmulo de ferro nos hepatócitos (hemocromatose), que aliás é uma doença freqüente no Brasil, pelo fato de termos sido colonizados por Portugal e recebido muitos imigrantes da Espanha e Itália, onde essa doença é comum. Para saber se tem realmente esteatose ou alguma dessas outras doenças que mencionamos precisaria fazer biópsia hepática ou passar por exames não invasivos específicos que podem determinar a presença de fibrose, gordura e ferro no fígado. As suas alternativas não invasivas são;
    1. a. Ultrassonografia com o dispositivo ARFI, que somente existe no equipamento Acuson-Siemens 2000 e é a tecnologia mais recente, que mede a velocidade de propagação da onda de cisalhamento nos tecidos, diretamente relacionada às propriedades elásticas do tecido. Quanto mais rígido é o tecido maior é a velocidade (caso da fibrose, da cirrose e hemocromatose, em graus progressivos de dureza e velocidade). Este equipamento nós dispomos em nosso serviço. Acabamos de recebê-lo há 2 semanas e somos os únicos no Brasil que temos este recurso diagnóstico.
    2. b. A Ressonância Magnética (RM) associada à elastografia, que também é capaz de detectar o grau de fibrose, esteatose e ferro hepático, mas desconheço se há algum serviço no Brasil que a tenha adquirido. A medição isolada do ferro hepático é possível com os equipamentos atuais que existem em grandes hospitais aqui de São Paulo, pois apenas requer um programa para fazer a mesuração.
    3. A tomografia computadorizada pode também detectar a esteatose, mas não é apropriada para mensurar a fibrose e o ferro hepático.
  2. Quanto ao seu nódulo, pode ser benigno ou maligno, ainda que as avaliações atuais favoreçam a benignidade. O fato de não ter sido observado na (RM) não tem nenhum significado, pois ele é muito pequeno. Somente se ele tivesse um grande contraste com o parênquima ao redor, caso dos nódulos císticos, ele poderia ser observável com essas dimensões que me relatou. A conduta que recomendaram no seu caso, embora gere muita angústia, permite o diagnóstico diferencial benigno x maligno pelo acompanhamento do ritmo de crescimento da lesão. Os benignos permanecem estáveis volumetricamente ao longo do tempo ou crescem muito pouco, enquanto que os malignos crescem muito rápido. O intervalo que recomendamos é 3 meses após o 1º exame de US que detectou o nódulo, depois com 6 meses de intervalo e depois com 12 meses.Não sei se minha resposta respondeu todas as suas dúvidas, mas os pontos fundamentais foram cobertos.

Cordialmente,

LK

Realmente a ELASTOGRAFIA está com tudo. Detecta o grau de fibrose e cirrose hepática sem biópsia. Mas para isso é necessário um equipamento especial, o elastógrafo ARFI-(Acoustic Radiance Force Impulse) que está acoplado ao equipamento da Siemens Acuson-Siemens 2000, que acabamos de adquirir e é capaz de medir a velocidade de propagação da onda de cisalhamento nos tecidos através das ondas laterais que se propagam ao longo do feixe acústico principal. E pode diferenciar entre esteatose – fibrose de uma hepatite crônica, cirrose e hemocromatose de forma não invasiva. Já tivemos ótimos resultados com o método. Viva a tecnologia!

Abaixo eu mostro uma imagem de esteatose hepática detectada pela tecnologia ARFI em nosso consultório

Fig. 1 – imagem sagital do lobo direito do fígado. Observem que a velocidade de propagação da onda de cisalhamento no fígado é de apenas 0.72m/s, bem abaixo da média normal que é 1.10m/s (média de 1.13m/s±0.23) indicando que o parênquima é mole em decorrência da infiltração adiposa.

Vejam mais detalhes nos resultados preliminares no artigo que traduzimos do Radiology , na versão em português e em inglês e que trata da avaliação da fibrose e cirrose hepática pela tecnologia ARFI comparada com a do FibroScan e está nas notícias do nosso portal esta semana.

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