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11 FATOS CRUCIAIS DO CÂNCER DE MAMA QUE SÃO IGNORADOS

 

1. Todos os cânceres de mama são igualmente agressivos e tem mesma capacidade de levar ao óbito a mulher?

Não, temos os cânceres que dobram a cada 5 anos e outros que dobram de tamanho a cada 2 meses e que em apenas 8 meses ultrapassam o tamanho ideal, aquele que seria diagnosticado ainda sem emitir raízes ou metástases, como são conhecidas na medicina.

O câncer que é mais importante de ser detectado é o de crescimento rápido, pois ele é muito agressivo, é o câncer que mata.  Se desejarmos rastrear o câncer de mama a tempo e reduzir a mortalidade temos que focar nesse câncer.  Se o método de rastreio não for capaz de detectar o câncer que cresce rápido jamais conseguirá reduzir mortalidade pelo câncer de mama e toda a responsabilidade recairá para o tratamento.

 

2. Tem algum método fácil e simples de reconhecer as pacientes que tem maior risco de terem câncer de mama?

Verificando se a mama é densa, o que pode ser feito com facilidade pela ultrassonografia e sem nenhum efeito biológico.

É muito antigo o conhecimento de que a mulher que tem mama densa é mais propensa a manifestar o câncer de mama, tem maior risco de morrer vítima do câncer de mama. Mas não se sabia o porquê dessa relação até há pouco tempo.  Recentemente, pela análise do genoma constatou-se que o mesmo cromossoma que contém os genes responsáveis pela mama densa, mais adiante tem os genes que são responsáveis por aumentar o risco de a mulher vir a ter câncer de mama.

Ou seja, a mulher sabendo que tem mama densa, sabe também que é portadora de uma mama de risco, que ela tem de 4 a 6 vezes mais chance de vir a ter câncer de mama se comparada com uma mulher cuja mama é hipodensa, o que chega a incrível cifra de 67.2% . Ou seja, de cada 10 mulheres com mama densa, 4 a 7 poderão adquirir o câncer de mama.

O genoma seria mais preciso ainda, mas é muito mais caro do que a ultrassonografia.

 

3. Qual é o método ideal para rastrear a mama densa, que tem maior risco de ter câncer de mama?

O método que deve rastrear o câncer de mama deve ser capaz de detectá-lo na mama densa, caso contrário não reduzirá a mortalidade por esse câncer. O método ideal para rastrear a mama densa é a ultrassonografia, de preferência associada ao Doppler e à elastografia o MÉTODO TRÍPLICE.  Esse método ainda é pouco divulgado e há poucos profissionais treinados no Brasil. A USP iniciou um treinamento pioneiro do método em maio de 2017 na sua Escola de Educação Permanente, que é o primeiro de vários outros, no qual pretende formar muitos médicos para atender a demanda crescente do método.

E mais importante: o treinamento está associado a TERMOGRAFIA, que servirá de rastreio inicial das mamas, para selecionar aquelas que merecem um exame mais profundo para identificar a anormalidade detectada, pois o exame tríplice é demorado e não serve como rastreio inicial em larga escala da população. Acabamos de adquirir um equipamento de termografia e dentro em breve estaremos disponibilizando-o para o atendimento aos nossos pacientes.

 

4. Qual a idade na qual seria recomendável iniciar o rastreio do câncer de mama?

Baseado na biologia tumoral, que nos diz que não há um só tipo de tumor de mama, mas uma infinidade, cujo tempo de duplicação do tumor varia de 2 a 5 anos, se não focarmos nosso diagnóstico nos casos em que o tumor cresce muito rápido, jamais conseguiremos nosso objetivo de diagnóstico precoce, antes do tumor emitir suas raízes, tratamento precoce e mais conservador e redução da mortalidade. Um complicador adicional é que as pacientes de alto risco são jovens e tem mamas densas. Então o exame inicial obrigatoriamente tem que ser realizado aos 25 anos para separar o joio do trigo: mulheres com mamas densas (alto risco) e mulheres de mama hipodensa (baixo risco). A partir dessa classificação as mulheres de mamas densas deverão ser rastreadas semestralmente, a única forma de detectarmos o câncer de crescimento rápido a tempo. As mulheres de mama hipodensa podem iniciar seu rastreio, sempre anual, mais tarde.

 

5. Por que o método que rastreia o câncer de mama obrigatoriamente não pode ter qualquer efeito biológico?

Porque o rastreio tem que começar muito precoce e, quanto mais jovem o tecido, maiores serão os efeitos prejudiciais da radioatividade. Não podemos rastrear o câncer com um método que é cancerígeno. E, se a mulher portadora dos genes favoráveis ao câncer mama for irradiada uma vez, aumentará de 4 a 5 vezes o risco inicial de ter câncer antes dos 40 anos, ou seja, o risco inicial de 11,2% , que já é elevado, passará para  56%. Um verdadeiro absurdo!!!

 

6. Quais os métodos de rastreio do câncer de mama seriam mais indicados para pacientes jovens?

Sempre sem efeito biológico. Imagine que a mulher comece os rastreios aos 25 anos e que terá uma expectativa de vida 75 anos, o que não é nada de extraordinário. Isso significará 100 exames de mama nesse período. Dá para irradiar a mama todo esse tempo? E por tabela também irradiar a tireoide? Não. Obrigatoriamente temos que ter métodos sem efeito biológico como é o caso da TERMOGRAFIA e da ULTRASSONOGRAFIA, de preferência associada ao DOPPLER E ELASTOGRAFIA. Com os 4 métodos tem-se uma avaliação mais COMPLETA da mama JOVEM!!
O objetivo é diagnosticar precocemente e ajudar a mulher JOVEM a se cuidar com mais segurança.

 

7. A termografia seria um método aceitável de rastreio? O que sabemos da termografia com os recursos atuais?

A sensibilidade e especificidade da termografia é de 80-90% porém não se pode falar em falso(+) ou falso (-) porque ela não faz diagnóstico do câncer de mama. A termografia é uma forma de orientar o rastreio Ultrassonográfico para localizar o problema responsável pelas alterações metabólicas presentes na termografia.

 

Imagen termográfica e de ultrassonografia

A Termografia suspeitou e o exame tríplice comprovam a existência do tumor de mama mostrado como áreas vermelhas (quentes) na mama esquerda. No exame tríplice foram detectados 4 nódulos – era câncer multifocal.  Aqui é mostrado o maior nódulo de 27mm de diâmetro às 2 horas da mama esquerda, local mais quente (vermelho) da termografia. Tudo isso sem dor e sem a radiação perigosa da mamografia

8. Existe algum estudo recente que validou a qualidade da ultrassonografia no rastreio do câncer de mama?

Embora não tenha sido realizada nenhuma série controlada e randomizada, que seria o ideal, um estudo publicado em setembro de 2016 estudou 48.251 mulheres asiáticas e avaliou a detectabilidade do câncer mama pela US e mamografia e constatou que  a US conseguiu detectar 96,5% dos cânceres vs. a mamografia apenas 87,1%.

Esse trabalho de Cho KR e col. é importante devido a quantidade de pacientes estudadas e porque utilizou aparelhos de US mais modernos e de alta resolução, mostrando que a US superou de lavada a mamografia e sem irradiar a mama.

 

9. Está sendo realizado algum treinamento dos médicos para rastreio do câncer de mama por estes novos métodos?

Sim!

 

10. São apenas aulas teóricas ou o treinamento dos médicos inclui aulas práticas nestes novos métodos?

O curso prático é um diferencial. Toda a paciente do curso é examinada primeiramente pela termografia e todos os problemas metabólicos e de anomalia de vascularização são detectados nesta primeira fase. Na sequência a mesma paciente passa para o exame tríplice com a orientação ponto-a-ponto do docente encarregado do curso. O exame tríplice terá maior facilidade de localizar o problema que precisa de análise adicional se o exame de termografia foi realizado antes e detectou algo suspeito. Dessa forma a prática é muito ilustrativa e ideal para fixar o aprendizado.

 

11. Aonde?

  • Os interessados poderão entrar em contato com a Escola de educação permanente – HC – FMUSP
  • http://hcfmusp.org.br/portal/cursos/?aid=1&cid=100859
  • Escola de Educação Permanente HCFMUSP
  • Dr. Ovídeo Pires de Campos, 471 – São Paulo – SP – CEP 05403-010
  • Fone: (11) 2661-7025

 

Referência: 

Cho KR e col. Breast Cancer Detection in a Screening Population: Comparison of Digital Mammography, Computer-Aided Detection Applied to Digital Mammography and Breast Ultrasound. J BreastCancer. 2016 Sep;19(3):316-323. Epub 2016 Sep 23.