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Sonimage e a Clínica Lucy Kerr, pioneiras no diagnóstico por ultrassom no Brasil

Ultrassonografia da Tireóide

 

O que você precisa saber sobre seu exame de Ultrassom de Tireóide

Dra Lucy Kerr* As informações que prestaremos a seguir, na qualidade de médica especialista no diagnóstico por imagem, visam esclarecer as dúvidas e perguntas mais freqüentes exame ultrassonográfico da sua tireóide.

O que é o Ultrassom?

O ultrassom é como o som comum, somente tem uma freqüência muito elevada (ou mais alta) e não pode ser e ouvido por humanos. Um exame de ultrassom é denominado geralmente de ultrassonografia, mas pode também ser conhecido como ultrassom ou ecografia. Quando o feixe de ultrassom é direcionado para a sua tireóide, através de um dispositivo chamado transdutor ou sonda, os ecos sonoros retornaram do seu organismo para esse mesmo transdutor e vão propiciar a delineação da anatomia, mostrando as doenças que afetam sua tireóide. Os ecos que retornam são modificados por um computador que produzem uma imagem, projetada na tela de uma televisão, as quais são analisadas pelo médico (a) especialista emitir seu parecer. Essas imagens podem ser arquivadas e enviadas junto com um relatório para o médico que solicitou o exame. A ultrassonografia da tireóide irá produzir imagens da sua glândula que mostrará seu tamanho, formato, vasos sanguíneos e qualquer nódulo (caroço) que você por ventura apresente na sua tireóide.   

O que é a Tireóide?

A tireóide é uma glândula em formato de uma borboleta que está situada ao redor da parte dianteira do seu pescoço, justamente abaixo do pomo de Adão. A tireóide é a glândula responsável pela produção de hormônios que auxiliam no controle do seu metabolismo. Os hormônios produzidos pela tireóide têm efeito em quase qualquer tecido ou célula do seu corpo.

O que a Tireóide faz?

Dentre os diversos sistemas que compõem o corpo humano, o sistema endócrino tem vital importância. Cada órgão que compõe este sistema apresenta uma característica fundamental, que é segregar um certo tipo de hormônio e cada hormônio tem suas funções, que são principalmente de um efeito regulador em outros órgãos, que estão à distância. Os órgãos que cumprem tal função são glândulas de secreção internas, assim chamadas por não possuírem dutos. Após os hormônios serem produzidos, eles entram na circulação sanguínea e percorrem todo o organismo. A tireóide é a glândula que regula nosso metabolismo e, como todo o restante do sistema endócrino, mantém estreita relação com outros órgãos que não fazem parte do seu sistema. A mulher pode ser incapaz de engravidar e manter a gestação, caso a tiróide não funcione adequadamente, pois o bom funcionamento do útero e dos ovários estará afetado pela baixa produção dos hormônios tireoidianos.

 

Porque devo realizar um exame ultrassonográfico da Tireóide?

Devido às patologias tireoidianas serem cada vez mais comuns e poderem passar despercebidas, recomenda-se a todos os pacientes a realização de um exame convencional de rastreamento da tireóide a cada dois anos, mesmo que não sinta nada. No mundo todo se tem observado aumento das doenças da tireóide e o Brasil não tem sido uma exceção. Pelo contrário, a própria vigilância sanitária constatou em 2003 um grande aumento das doenças da tireóide em relação aos registros das décadas passadas. Embora a causa exata não tenha ainda sido identificada, sabemos que nossa sociedade tem sido uma grande produtora de substancias tóxicas que afetam a função de nossas glândulas e são denominadas genericamente de disruptores endócrinos. Essas substâncias, como os agrotóxicos, chumbo e cádmio (entre inúmeras outras) podem substituir os hormônios do nosso corpo, ou bloquear a sua ação natural, ou ainda, aumentar ou diminuir a quantidade original de hormônios, alterando as funções endócrinas e muitos pesquisadores acreditam que podem ser uma das causas do aumento tão grande das doenças da tireóide que observamos atualmente. A radiação ionizante também é considerada uma das vilãs e vários alertas foram dados pelo Instituto nacional do Câncer dos EUA, desde 2009, após o relatório do Conselho Nacional de Proteção contra Radiações e Medições (NCRP) de Bethesda ( março de 2009), ter constatado crescimento de mais do que sete vezes na dose de radiação ionizante da população dos Estados Unidos, entre o inicio dos anos 80 a 2006, tendo atribuído ±70% desse aumento da carga radioativa aos procedimentos médicos – principalmente ao crescimento espetacular da utilização da Tomografia computadorizada para fins diagnósticos. E a tireóide não suporta a radiação ionizante sem se alterar, como ficou claramente constatado em Chernobyl pela comissão internacional que acompanha as vitimas do acidente nuclear.

Como a ultrassonografia tireoidiana pode auxiliar no diagnóstico das doenças que afetam esta glândula?

Uma ultrassonografia da tireóide oferece uma análise morfológica muito detalhada de toda a glândula, que certamente irá auxiliar no diagnóstico e permitirá o tratamento mais correto da doença por seu médico. A tireóide pode ser examinada por uma sonda especial de alta resolução, o que permite detecção de lesões muito pequenas, que geralmente passam despercebidas por outros métodos de imagem. Existem muitas razões para se examinar a tireóide com ultrassom. As principais razões seriam:

  • Analisar um nódulo ou caroço que seu médico viu ou sentiu na palpação do seu pescoço;
  • Verificar quais são as características dos nódulos encontrados, classificando-os de acordo com o risco de malignidade;
  • qual é o padrão de vascularização do nódulo tireoidiano (estudo Doppler), o que pode dar uma boa pista se é benigno ou maligno;
  • acompanhamento da tireóide com nódulos, para verificar se surgiram novos nódulos e analisar as mudanças dos nódulos previamente existentes, o que poderá ou não indicar a cirurgia para removê-los;
  • analisar a glândula tireoidiana aumentada e verificar qual é a causa mais provável desse aumento, além de determinar seu tamanho, para posterior acompanhamento evolutivo ou cálculo da dose de iodo radioativo a ser administrado no hipertireoidismo;
  • verificar a causa da dor na região da tireóide, cuja causa mais comum é a tireoidite linfocítica (autoimune);
  • acompanhamento anual da tireoidite para rastreamento de nódulos, pois eles surgem com maior freqüência nesses casos e é preciso saber se são cancerosos. Como a tireóide endurece nessa doença, dificilmente o nódulo será detectado pela palpação apenas;
  • analisar a anormalidade tireoidiana detectada por outros exames, como a ecografia das carótidas, a cintilografia tireoidiana, a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética do pescoço;
  • como está o local operado após a cirurgia do câncer tireoidiano, para verificar: – se está livre do câncer; – se o tumor voltou a crescer onde estava; – se o tumor foi para outros locais do pescoço (metástases); – acompanhar alguma lesão duvidosa no local operado para diferenciar se é benigna ou maligna;
  • Direcionamento ultrassonografico da biópsia para nódulos tireoidianos ou para os que surgem no local operado de câncer tireoidiano (aspira-se pequena quantidade de células com uma agulha fina e examina-se ao microscópio para saber se são benignos ou malignos)
  • Mapear os linfonodos (ínguas) do pescoço, principalmente antes ou após uma cirurgia de câncer de tireóide, para verificar se podem estar afetados pelo tumor, mas também para acompanhar esses nódulos quando estão aumentados por qualquer outro motivo;

Há alguma grande novidade no diagnóstico das doenças da tireóide?

Por 10 anos a ultrassonografia só teve avanços evolucionários, ou seja, a melhoria de certa tecnologia que já funcionava, mas nada de fundamentalmente diferente. A Siemens investiu no desenvolvimento de avanços revolucionários, que são os maiores dos últimos 40 anos em US e lançou uma nova modalidade de exame associada a ultrassonografia que é a Elastografia: ela mede a elasticidade dos órgãos, tecidos e nódulos, permitindo o diagnóstico de muitas doenças, pois elas costumam alterar a dureza dos tecidos. Em geral o câncer de tireóide e de mama é duro e pouco elástico, diferentemente do nódulo benigno de bócio colóide ou o fibroadenoma, que costumam ser mais moles e mais elásticos. Esse é um dos principais benefícios da elastografia, a sua capacidade de diferenciar os nódulos benignos dos malignos em mama e tireóide, o que é particularmente útil no padrão duvidoso, que ocasiona muitas biópsias desnecessárias de lesões benignas que pareciam malignas ou identificando tumores que não são evidenten por outros métodos. Existem duas modalidades de elastografia:

  • a manual , na qual a força compressiva é aplicada pelo operador e está limitado a 12mm de profundidade;
  • a virtual ARFI (Acoustic Radiance Force Impulse), na qual a força de compressão dos tecidos é aplicada automaticamente pelo equipamento, sempre com o mesmo padrão, independendo do examinador, o que melhora sua precisão e permite que seja utilizada em órgãos profundos, como o fígado, permitindo detectar o grau de fibrose hepática em pacientes com hepatite crônica ou cirrose sem a necessidade de biópsia. Um grande e extraordinário avanço da Medicina não invasiva! A elastografia virtual estima o grau de fibrose hepática calculando a velocidade de propagação da onda de cisalhamento nos tecidos, que é proporcional a dureza tecidual e é uma propriedade valiosíssima, especialmente porque se soma às outras duas propriedades acústicas já utilizadas a reflexão (delineia a morfologia) e o Doppler (determinado o padrão de vascularização).

Atualmente apenas nossa clínica possui esse equipamento, único no Brasil e na América latina, mas certamente outros grandes hospitais e clínicas o irão adquirir em breve, pois é muito útil para o diagnóstico e veio preencher as falhas de outros métodos de diagnóstico por imagem.

Existe algum preparo especial para o exame ultrassonográfico da Tireóide?

Não existe nenhum preparo especial para esse tipo de exame. A sala de exame permanecerá na penumbra, para facilitar a visualização das imagens na tela do aparelho pelo médico(a) ultrassonografista que o(a) examinará.

O exame dói?

O exame é indolor, exceto nos casos em que for necessária uma biópsia aspirativa com agulha fina. O transdutor é colocado sobre a sua pele, na região da tireóide, utilizando-se um gel para facilitar o contato e deslizamento do transdutor sobre a pele. O gel pode estar frio ou ter sido previamente aquecido e ele pode grudar nas roupas. Quando o gel seca transforma-se em pó esbranquiçado que pode ser escovado.

Quanto tempo demora o exame?

O tempo de um exame de tireóide é muito variável e geralmente está relacionado à complexidade dos achados e ao cuidado e competência do profissional que o examina. Quando bem executado o tempo é proporcional à quantidade de nódulos detectados, mapeados, caracterizados e analisados pelo Doppler, por ser esta uma parte muito trabalhosa do exame, podendo variar de 40 a 120 minutos.

O ultrassom é seguro?

Não existe nenhum efeito prejudicial conhecido do ultrassom relacionado ao seu uso médico. 

Quais são as limitações do exame?

É muito raro o ultrassom não ter uma imagem satisfatória da tireóide. Excepcionalmente, se o pescoço for muito curto, a parte inferior da tireóide poderá não ser bem identificada, especialmente quando se insinua para o tórax.

Se existirem múltiplos nódulos ou cistos, será necessário realizar um mapeamento e caracterização de cada nódulo, para posterior acompanhamento, mas poucos serviços no Brasil o realizam, pois é demorado, trabalhoso e os convênios não pagam por esse adicional. Entretanto, somente se os nódulos forem mapeados um a um poderão ser posteriormente acompanhados e as mudanças que indicam malignização serão detectadas a tempo. A ultrassonografia da tireóide permite identificar muitas características no exame da imagem que podem auxiliar na determinação estatística do risco maior ou menor de câncer, mas não é uma certeza absoluta. Seu médico poderá recomendar exames adicionais visando aprofundar o diagnóstico, tais como: biópsia aspirativa direcionada pelo ultrassom, dosagem da tireoglobulina ou do paratormônio do material aspirado com agulha fina e outras dosagens hormonais. A qualidade do exame de ultrassom também depende muito da experiência do examinador e do tipo de equipamento utilizado. 

Quanto custa um exame de ultrassom?

O preço do Ultrassom varia de acordo com a razão e complexidade do exame solicitado (o mapeamento dos nódulos tireoidianos é mais caro do que uma análise de uma tireóide sem nódulo), dos exames adicionais que forem necessários (estudo Doppler, mapeamento dos linfonodos cervicais, biópsia direcionada pelo ultrassom) e do tipo de equipamento utilizado.

*notícia que autora escreveu para no blog do Dr. Walter Miniccuci, atual vice presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Especialista em Endocrinologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Mestre em Medicina pela UNICAMP, Doutorando de Clinica Medica da Faculdade de Medicina da Unicamp e Editor chefe da revista da Sociedade Brasileira de Diabetes