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Comentário:

Sou médico e compreendi o que quis dizer o Dr. Vitor. Uma ultrassonografia convencional com Doppler hepático é suficiente para caracterizar a morfologia não apenas do fígado como, também, dos demais órgãos maciços do abdome, bem como avaliar a vasculatura hepática e a presença de nódulos. E com um detalhe: a ultrassonografia é coberta por qualquer plano de saúde e, também, pelo SUS.

 Por sua vez, o Fibroscan consegue oferecer a informação que a ultrassonografia convencional não consegue, que é a medida da fibrose hepática e, mais recentemente – com o advento do recurso CAP (Controled Attenuation Parameter) – a quantificação da esteatose hepática. E com uma vantagem sobre o AS-2000: o custo mais acessível.  Ou seja: se um paciente portador de hepatopatia crônica contar com uma boa ultrassonografia abdominal (coberta pelo seu plano de saúde) e com um exame de elastografia pelo Fibroscan, o custo-benefício será muito superior ao do AS-2000.

 Atenciosamente,

 Flávio
Respondendo ao comentario:

Prezado Flavio:

Como uma das pioneiras de US eu sempre ouvi argumentos semelhantes: porque fazer exames de US se ainda temos tantos pacientes padecendo de gastroenterites e verminoses? Não seria mais apropriado empregar esse dinheiro para o saneamento público?   Por que fazer o exame melhor e mais caro, se este dinheiro poderia ser melhor utilizado com um exame mais barato, ainda que algumas informações preciosas se percam no caminho?  Eu entendo que a evolução é inevitável e eu quero participar desse processo, dentro da minha área de atuação, dispondo da melhor ferramenta possível. Desde que me iniciei em US, há varias décadas, sempre utilizei o melhor equipamento disponível, o Doppler mais sensível e agora a melhor elastografia, com imagens manuais, virtuais e tecnologia ARFI para mensuração da velocidade hepática. Essa política que me norteia sempre me garantiu maior sensibilidade e diagnósticos mais precisos do que aqueles que se contentavam com menos. Na verdade, estou plenamente satisfeita com as novas informações que o equipamento Acuson-Siemens 2000 me oferece. Posso te exemplificar com um caso no qual o Fibroscan certamente não poderia fazer o diagnóstico. Teria dito que o fígado estaria normal, mas essa informação seria parcial. Trata-se de um paciente portador de doença de Crohn, que passou por vários episódios inflamatórios graves, que culminaram com a perda de vários segmentos do intestino delgado. No nosso exame US e Doppler pudemos constatar trombose do ramo esquerdo da veia porta e extensa fibrose peri-portal, provavelmente decorrente de um dos quadros infecciosos prévios.  O lobo esquerdo estava contraído e irregular, com claros sinais de cirrose. Por outro lado, o lobo direito parecia totalmente normal. A pulsatilidade das veias supra hepáticas média e direita estava normal e a veia supra hepática esquerda nem foi possível identificar no estudo Doppler. Na elastografia ARFI constatou-se aumento da velocidade de propagação das ondas de cisalhamento no lobo esquerdo do fígado, mas totalmente normal no lobo direito.  Como o Fibroscan mede apenas a elasticidade do lobo direito e não realiza todo o restante da análise morfotextural e Doppler, certamente não teria identificado a cirrose do lobo esquerdo, nem detectado a trombose do ramo esquerdo da veia porta e aumento da sua densidade (fibrose), que o Acuson-Siemens 2000 possibilitou. Estou anexando as imagens realizadas em 02.02.2011 para que possa avaliar pessoalmente e formar sua opinião:

  

Fig. 1– corte sagital à esquerda mostra ramo esquerdo veia porta sólido, ecogênico e com fibrose periportal espessa. Corte transversal à direita mostra lobo esquerdo atrófico heterogêneo e exibindo o ramo esquerdo veia porta sólido (trombose antiga). A ecogenicidade do lobo direito é normal.

 

Fig 2 à esquerda mostra corte sagital do lobo esquerdo do fígado e ausência de fluxo na topografia do ramo esquerdo da porta. A veia supra hepática média totalmente normal é mostrada à direita, compatível com a normalidade do lobo direito.

 

Fig 3. À esquerda mostra-se a imagem elastográfica ARFI do lobo esquerdo, onde a  velocidade de propagação das ondas cisalhamento  mediu  2.39m/s, ou seja, está 2.17 vezes acima do normal, indicando significante endurecimento (fibrose) do parênquima, consequência natural da trombose ramo esquerdo da porta. À direita a velocidade mostra-se a velocidade virtual ARFI mensurada no lobo direito = 1.23m/s (normal =1.13± 0.23m/s), que indica consitência normal hepática.

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