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Todo exame de rastreio tem que ser inócuo, pois será repetido inúmeras vezes ao longo da vida da mulher. O exame citopatolódico (popular Papanicolau) do esfregaço do colo uterino é indiscutível na sua capacidade de prevenir o câncer cervical e inócuo. Não é o caso da mamografia

É importante a mulher entender o que eu chamo de guerra da mamografia, devido a veiculação de notícias favoráveis e desfavoráveis ao método. Infelizmente, as notícias favoráveis são totalmente errôneas e são contestadas por entidades sérias e sem conflitos de interesse. Vamos a alguns exemplos:

A RADIAÇÃO É PERIGOSA?

A radiação da mamografia não é desprezível e  não há dose única para todas as pacientes, pois varia com o grau de densidade do tecido mamário (mais irradiação quanto mais densa) e com o tamanho da mama (mais irradiação quanto maior a mama) e faixa etária (quanto mais jovem maior o efeito maléfico).

O gray (representado por Gy) é a unidade no Sistema Internacional de Unidades (SI) de dose absorvida.

Agora vamos fazer 2 simulações:

  1. Se uma mama é densa e grande (8 cm de espessura): ela receberá 25mGy de radiação a cada exame mamográfico que fizer e precisará de apenas 4 exames com 4 exposições para atingir a dose carcinogênica, que é de 106mGy (suficiente para desencadear o Câncer de mama).
  2. Se a mama for hipodensa e de tamanho pequeno (2cm de espessura) receberá 0.5mGy por  mama a cada exposição e precisará de 50 exames para atingir a dose carcinogênica. Se realizada a cada 6 meses significará 25 anos até atingir a dose crítica. Se iniciada aos 40 anos – com 65 anos a mulher poderá ter o câncer gerado pela mamografia. Isso sem considerar outros fatores cancerígenos aos quais estamos expostos durante a vida e poderão ser antecipados pelo método radiológico usado regularmente. Entretanto, só metade da população tem mamas que receberão tão “pouca radiação” (viram no caso exemplificado que mesmo as doses mínimas não são pequenas ao longo da vida). As demais mulheres receberão muito mais irradiação, pois tem proporções variáveis de áreas densas.

E não existe dose de radiação pequena, que não causará efeito em nosso organismo: a radiação desencadeia mutações potencialmente cancerígenas (mecanismo mais conhecido), assim como bloqueia por 2 meses a defesa própria do sistema imunitário da mulher, facilitando que um câncer que não cresceria, desenvolva-se e crie raízes (mecanismo mais recentemente descoberto e menos conhecido).O método de rastreio mamográfico por casos, que tiveram o “diagnóstico precoce” pela mamografia. Só temos essa condição quando se faz análise em larga escala da população, como fez a Cochrane, o Conselho Médico Suíço e as Forças Tarefas EUA e Canadá.A MAMOGRAFIA PODE FALHAR NAQUELA METADE DA POPULAÇÃO QUE TEM MAMAS DENSAS?

As   mamas densa tem de 4  a 5 vezes maior risco de ter câncer de mama do que a população normal. Daí a mulher será muito mais prejudicada pela mamografia, pois vários dos cânceres nessas mamas são genéticos e muito instáveis, desenvolvendo-se muito mais facilmente quando irradiados (na mutação AT- Ataxia-telangectasia basta uma mamografia para desencadear o câncer).

Nas mamas com grau 4 de densidade (com mais de 90% de áreas densas), que consideramos hiperdensas, eu nunca vi a mamografia detectar 1 câncer sequer em mais de 40 anos de profissão. Mostramos um caso de mama hiperdensaque ocultava 4 tumores palpáveis e visíveis à inspeção e, nenhum deles, foi detectável na mamografia.

Mamas hiperdensas grau 4 que “esconderam” os quatro cânceres que continha nesta Mamografia

A mamografia prévia de densidade grau 4 (o máximo) ocultava 4 cânceres, sendo este um deles, com 2.6cm (avançado). Imagem à esquerda é a US da mama esquerda e a imagem à direita o estudo Doppler da mesma lesão.

Aqui no Brasil os radiologistas não classificam o grau de densidade da mama na mamografia, que é hoje considerado o maior fator de risco, conforme comentado. E são falso-negativos da mamografia. Justamente para as mulheres de maior risco de câncer de mama, que mais precisam da mamografia, o método é mais ineficaz.Nos EUA a detecção de mamas densas exige comunicação compulsória às autoridades competentes, pois já é líquido e certo que o método é inadequado para esse propósito e às mulheres terá que ser oferecido outro método.

A MAMOGRAFIA REDUZIU A MORTALIDADE POR CÂNCER DE MAMA NAQUELAS MULHERES QUE A REALIZAM REGULARMENTE?

Não, infelizmente não reduziu a mortalidade por câncer de mama em todas as populações onde o método foi aplicado.Na última revisão do método feita pela Cochrane em 2013,  a  entidade chegou  à conclusão que  a mamografia deveria ser abolida, pois é ineficaz (não reduz a mortalidade por câncer de mama, nem as mastectomias) e ainda é maléfica (exposição à radiação e fazer o diagnóstico de câncer que não existe, um de cada 3 cânceres detectados pelo mamografia).Todas as pesquisas que mostraram que a mamografia reduzia a mortalidade por câncer de mama forma condenadas nas revisões da Cochrane e o fato de a mortalidade estar recusando-se a cair nos países onde foi instituída como método de rastreio comprova que sua avaliação foi correta.

Muitos médicos desconhecem os dados que acabo de te passar e aceitam sem questionar a recomendação das suas sociedades, que estão defasadas em relação a orientação mundial. Na Europa a mamografia já quase não é mais realizada, inclusive a França (em consenso médico em final de 2017) e a Suíça(orientação do Conselho Médico Suíço em 2014) já a aboliram como método de rastreio.Averdade pode tardar, mas ao final sempre será conhecida.

Dr. Peter C. Gøtzsche  diz no seu livro Mammography screening: truth, lies and controversy. Radcliffe Publishing. ISBN 9781846195853,  que a melhor forma da mulher ter menos câncer de mama é não fazendo a mamografia.

O diagnóstico do câncer de mama em mulheres assintomáticas geralmente revela-se carcinoma in situ – que não é câncer verdadeiro – mas um nome errado para o que é apenas um dos inúmeros fatores de risco para o câncer de mama e entra na categoria dos falso-positivos. E você não morrerá de câncer se não tiver o câncer!

Mas adetecção do falso câncer de mama (Falso positivo) incham as estatísticas de “detecção pelo rastreio mamográfico”, sem reduzir a mortalidade onde  foi instituída (única forma de avaliar o resultado favorável do método).Aos que defendem a mamografia os motivos podem não ser louváveis: é uma indústria que movimenta cerca de 4 bilhões de dólares ao ano, só nos EUA e, se condenada, haveria lucros cessantes!!!!! Caso contrário a ciência teria prevalecido. Hoje há muito mais argumentos que condenam a mamografia do que o contrário

Daqui há alguns anos, quando esse método abominável for abolido, estes médicos que hoje defendem a mamografia, terão muito que explicar!!!!

A MULHER DEVE REALIZAR EXAMES PERIÓDICOS DE RASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA?

O exame de rastreio só deve ser realizado se for 100% inócuo, como ultrassonografia e a termografia. O método trípliceutiliza 3 princípios físicos inócuos: a ultrassonografia (princípio acústico para rastrear os nódulos cancerígenos), com Doppler (usa o efeito Doppler para ver como o sangue se movimenta nos nódulos e tecidos da mama) e elastografia (utiliza o princípio da elasticidade para medir a consistência dos tecidos e nódulos). Os três métodos unidos no exame tríplice não prejudicam as mulheres e tem menores erros dos que se cada um for utilizado separadamente.

A Termografia também é capaz de detectar o câncer de mama e, por ser mais barata do que o método tríplice, poderá ser utilizada no rastreio inicial. Mas se algo de anormal for observado ela deverá ser complementada por um método morfológico INÓCUO, como o exame tríplice.

Esses 4 métodos unidos no rastreio quadrangular é o que eu chamo de RASTREIO INTELINGENTE DO CÂNCER DE MAMA.

Que a ciência isenta e sem conflitos de interesses vença para a mulher ser beneficiada!

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