VOLTAR  

Deu na Folha de São Paulo de 08.10.2010: UM NOVO EXAME SUBSTITUI BIÓPSIA NO FÍGADO
Texto de Gabriela Cupani da redação da Folha de São Paulo e comentários de Lucy Kerr

Um novo equipamento poderá substituir biópsias de fígado, em especial nos casos de hepatites. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acaba de dar o aval para sua importação.
O exame, cujo nome é elastografia hepática transitória, permite diagnosticar a fibrose no fígado (grau de cicatrização do órgão) com mais precisão do que a biópsia.
A formação dessas cicatrizes decorre de agressões por doenças crônicas, por exemplo as hepatites.
O exame capta as imagens do fígado por ultrassom, e também transmite uma onda de baixa frequência.
A vibração se propaga e mede a elasticidade do tecido hepático. Quanto mais endurecido, mais veloz é a propagação da onda. O resultado sai em cinco minutos.
Avaliar o grau de fibrose é crucial no tratamento de doenças do fígado. É isso o que vai determinar uso de um ou outro medicamento.
"É um avanço enorme. É possível que o exame substitua a biópsia hepática, não somente no diagnóstico, mas no acompanhamento das hepatites crônicas em futuro próximo", diz o médico hepatologista Hoel Sette Júnior, pesquisador do hospital Oswaldo Cruz.
A biópsia é um procedimento invasivo que requer hospitalização. Ela é feita com a inserção de uma agulha para a retirada de um pedaço de tecido, o que aumenta o risco de sangramentos.
Além disso, o fragmento colhido em biópsia pode não ser adequado para análise -que depende da interpretação do patologista.

Editoria de Arte/Folhapress
CUSTO
Ainda não se sabe quanto custará uma elastografia, mas os especialistas acreditam que o valor deverá ser menor do que o da biópsia.
Exames convencionais de imagem, como tomografia e ressonância magnética, são mais utilizados só nas fases avançadas da doença.
"Acho que a grande indicação é para pacientes com hepatite C que já estão diagnosticados. Pode ser útil para acompanhar o tratamento", diz Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia.
As estimativas oficiais apontam três milhões de brasileiros infectados pela hepatite C – mas os médicos afirmam que essa população é subestimada. Quase a metade dos transplantes de fígado está relacionada à doença.
Embora a maioria das pesquisas tenham sido feitas com portadores de hepatites, o exame vem sendo estudado para outras doenças.
O aparelho também poderá ser útil nos casos de cirrose por excesso de álcool ou nos pacientes que passaram por transplante hepático.
Desenvolvido na França, o equipamento já vem sendo usado na Europa e está em processo de aprovação pelo FDA (órgão americano que regulamenta remédios).
No entanto, a elastografia não vai significar o fim das biópsias de fígado, porque em alguns casos ela não pode ser feita: "Quando há acúmulo de água na barriga ou excesso de gordura no fígado, o exame não se aplica", ilustra a médica gastroenterologista Bianca Della Guardia, do Hospital Israelita Albert Einstein.
O aparelho já está disponível em algumas clínicas e hospitais do país até aqui era usado apenas para pesquisa, em várias instituições.

http://f.i.uol.com.br/folha/equilibrio/images/10281161.gif

Nossos comentários
A elastografia no diagnóstico médico é muito indicada para o fígado, tireóide e mama  para suprir as falhas dos outros métodos.
Atualmente apenas 2  equipamentos conseguem avaliar o grau de fibrose hepática sem biópsia e para isso utilizam-se de uma nova metodologia que é a Elastografia: um é o AS-2000 da Siemens, que recebemos em setembro de 2010 na nossa clínica Sonimage (o primeiro importado  em toda a América latina)  e o outro é o  Fibroscan, um equipamento Frances.
A Elastografia é uma nova modalidade de diagnóstico por imagem associada à ultrassonografia convencional que mede a elasticidade dos órgãos, tecidos e nódulos, permitindo o diagnóstico de muitas doenças, pois elas costumam alterar a dureza dos tecidos. Com a elastografia virtual ARFI (Acoustic Radiation Force Impulse) do AS-2000 o impulso compressivo é emitido pelo próprio equipamento e permite quantificar o grau de fibrose e cirrose hepática sem a necessidade de biopsiar o fígado! Mais do que isso, consegue diferenciar se há gordura, ferro, fibrose ou cirrose.  Para isso ele mede a velocidade de propagação das ondas laterais que se propagam ao longo do impulso compressivo do fígado, emitido pela tecnologia ARFI e é proporcional a elasticidade tecidual. Um grande e extraordinário avanço da Medicina não invasiva!

Fig. 1A/B – à esquerda (A) mostra US do fígado, com aumento difuso da ecogenicidade que pode ser de esteatose (gordura no fígado), fibrose, acúmulo de glicogênio ou depósito de ferro. A  velocidade hepática mensurada  pela elastografia ARFI  indica foi de 0.72m/s e é muito menor do que o normal, sendo compatível com acumulo de gordura nas células hepáticas  (quanto mais mole é o tecido, mais lenta é a velocidade). À direita (B) mostra imagem do lobo esquerdo do fígado onde a velocidade hepática é 4.30m/s e está muito aumentada em paciente com hemocromatose adquirida e com ferritina no sangue muito elevado indicando  que há acúmulo de ferro hepático.
Essse equipamento estivemos aguardando há 4 anos, para que os avanços que estavam sendo gestados fossem finalizados e fosse liberado para comercialização, o que só aconteceu em maio deste ano. Por 10 anos a ultrassonografia só teve avanços evolucionários, ou seja, a melhoria de certa tecnologia que já funcionava, mas nada de fundamentalmente diferente. O equipamento atual contém avanços revolucionários, que são os maiores dos últimos 40 anos em US e não há outro similar na América Latina.
Em mama a elastografia ajuda a diferenciar os nódulos benignos dos malignos, o que é particularmente útil no padrão duvidoso, o famoso BIRADS IV, que pode dar até 80% de falso-positivo (e as biópsias benignas desnecessárias, além de caras e estressantes, podem levar ao descrédito do método) e podem evitar falso-negativo (o câncer existe, mas não é detectado por ocasião do exame). Eu tive um caso em setembro, que está indo para Alemanha para ser divulgado no site da Siemens, no qual a ultrassonografia identificava as microcalcificações vistas na mamografia, mas não conseguia detectar o tumor, mesmo com uso de sonda de 18MHz, cuja resolução de contraste é maravilhosa. Na elastografia o tumor saltou aos olhos e permitiu que direcionássemos corretamente a PAAF (Punção Aspirativa com Agulha Fina), que foi guiada pela elastografia associada ao US para podermos identificar corretamente o local a ser puncionado. Era carcinoma ductal de 11mm com pequena área de invasão posterior e extensas áreas in situ.  Foi demais! As imagens deste caso serão divulgadas oportunamente no nosso BLOG.
Nas notícias de nosso portal de 13.09.2010 (portallucykerr.com.br) temos um  artigo  publicado no Radiology traduzido para o português, onde os autores estudaram a elastografia quantitativa para avaliar fibrose hepática. É incrível poder quantificar a fibrose sem biópsia hepática fazendo apenas um protocolo não invasivo de elastografia virtual!

Deseja se cadastrar em nosso mailing?